quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cantigas de Ninar

Cantigas de ninar, canções de ninar, acalantos ou cantigas de embalar são canções que as pessoas entoam para fazer os bebês dormirem suavemente.

Chamadas:
* lula, na Suécia;
* berceuse, na França;
* ninnananna ou cantilena, na Itália;
* kalebka, na Polônia;
* lulle, na Dinamarca;
* rurrupatas, no Chile;
* canción de cuna, na Espanha;
* lullaby na Inglaterra e Estados Unidos;
* lullen, na Holanda,
* canções de embalar, em Portugal;
* komoruita, no Japão;
* cantec de legan, na Romênia,
* cantigas de mucuru, entre os indígenas brasileiros.

Nina-nana é o tom ritmado da voz de quem embala a criança, e é também o nome que se dá à "cantiga de acalentar".

Os temas das cantigas são os temas religiosos como os anjos, os pais ausentes, e as entidades míticas do sono como o João Pestana além das entidades assustadoras de crianças como o papão e a coca (cuca).

Acalantos são cantados à noite pelas mães para embalarem seus filhos e são geralmente muito suaves.

"Boi, boi, boi,
Boi da cara preta.
Pega este menino
Que tem medo de careta."

Outra:
"Bicho tutu
Sai de cima do telhado.
Deixa o meu nenê
Dormir sossegado."

Acalanto:
“Canção para adormecer crianças.
É palavra erudita, designando o ato de acalentar, de embalar. No seu sentido musical, equivalente, por exemplo, ao da palavra francesa berceuse e da inglesa lullaby, foi utilizada por extensão e pela primeira vez pelo compositor brasileiro Luciano Gallet. Popularmente, nossos acalantos são chamados cantigas de ninar”. (Oneyda Alvarenga, “Comentários a Alguns Cantos e Danças do Brasil”, Revista do Arquivo Municipal, LXXX, 209, S. Paulo).

Cantiga de ninar: “O acalanto, canção ingênua, sobre uma melodia muito simples, com que as mães ninam seus filhos, é uma das formas mais rudimentares do canto, não raro com uma letra onomatopaica, de forma a favorecer a necessária monotonia, que leva a criança a adormecer. Forma muito primitiva, existe em toda parte e existiu em todos os tempos, sempre cheia de ternura, povoada às vezes de espectros de terror, que os nossos meninos devem afugentar dormindo. Vieram as nossas de Portugal, na sua maior parte, e vão passando por todos os berços do Brasil e vivem em perpétua tradição, de boca em boca, longe das influências que alteram os demais cantos”. (Renato Almeida, História da Música Brasileira, 106).

Os nossos indígenas tinham acalantos de extrema doçura, como um, de origem tupi, onde se pede emprestado ao Acutipuru o sono ausente ao curumi. No idioma nheengatu o acalanto se diz cantiga do macuru. Macuru é o berço do indígena. (Barbosa Rodrigues, Poranduba Amazonense, 287).

Em quase todos os acalantos, o final adormecedor é uma sílaba que se canta com várias notas, á-á-á-á, ú-ú-ú-ú, o ru galaico, ainda popular nas cantigas de berço portugueses.

Nanar / Ninar
Termo de criança. Dormir. Mamã, quero nanar. O mesmo que nana (sem acento). Termo de que as crianças se servem para designar o ato de dormir.
Fazer nana; locução de que se servem as amas, quando falam às crianças para as sossegar, significando dormir. (D. Fr. Domingos Vieira, DIC., Porto, 1873).

Fazer adormecer uma criança no colo ou nos braços, ou embalando-a no seu berço, ou na rede, cantando, em geral, as cantigas de berço, do nosso folclore:

“Nanai, meu menino,
Nanai, meu amor;
Que a faca que corta
Dá talho sem dor”.

“Boizinho, boizinho,
Que está no curral;
Vem ver o menino
Que não quer nanar”.

(De uma cantilena maranhense. Pereira da Costa, Vocabulário Pernambucano, 516).

Sapo-Cururu ou sapo-jururu, cantiga de ninar, acalanto divulgadíssimo no Brasil:

“Sapo-cururu
Da beira do rio,
Quando o sapo canta, ó maninha,
Dia qu’está com frio...”

Figura em quase todas as coleções de verso infantis.

O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira não registra o vocábulo coca (côca), e sim cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo.

A coca (côca) ou cuca é um bicho imaginário criado e usado para fazer medo às crianças choronas que não querem dormir.

No sul do Brasil mantém-se a figura da cuca, mencionada na obra de Monteiro Lobato. No nordeste, a referência foi perdida, como mostra a substituição na canção de ninar:

"Chô, Chô gatinho
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu sono sossegado."

No Brasil,dentre as mais conhecidas estão o Dorme nenem (folclore do Nordeste do Brasil, recolhido por Luís da Câmara Cascudo) e o Boi da cara preta (de Dorival Caymmi).

"Dorme nenem,
que eu tenho o que fazer,
vou lavar vou engomar,
camisinha para você."

"Boi boi boi,
boi da cara preta
pega esse menino
que tem medo de careta."

Referências
· Aurélio Buarque de Holanda: Novo Dicionário da Língua Portuguesa
· Candido Figueiredo: Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. Livraria Bertrand. Lisboa 1940
· J. Leite Vasconcelos : Canções do Berço
· Mario Souto Maior : Cantigas de Ninar: Origens remotas. Boletim da Comissão Catarinense de Folclore, Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina. 1993-1994.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantiga_de_ninar"

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