quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Parlendas

Parlendas são palavras ordenadas de forma a ritmar, com ou sem rima.

Tropeiro fala de burro

Vaqueiro fala de boi
Jovem fala de namorada
Velho fala que foi
*
Eu sou pequena

Da perna grossa
Vestido curto
Papai não gosta
*
Andô lê tá

Lê com i
Lê com a
Lê café com chocolá
Andô lê tá
*
Lá em cima daquele morro

Tem um pé de bananeira
Tua mãe morreu de fome
E teu pai de caganeira
*
Atirei um limão verde

Por cima de uma samambaia
Deu na cara de uma velha
Que estava lavando a saia
*
Topei, topada

Lagartixa baleada
Quando vejo
A lagartixa
Só me lembro
Da topada
Topei topada!
*
Eu sou pequenina

Tamanho de um botão
Carrego papai no bolso
E a mamãe no coração
O bolso furou
Papai caiu no chão
Mamãe que é mais querida
Ficou no meu coração
*
Subi na roseira

Quebrei um galho
Segura, morena
Senão eu caio
*
Meio-dia

Macaco assobia
Panela no fogo
Barriga vazia
*
– Ai, ai.

– Que tens?
– Saudade.
– De quem?
– Do meu bem.
*
Corre, ratinho

Que o gato tem fome
Corre, ratinho
Que o gato te come
*
Pulga toca flauta

Perereca, violão
Piolho pequenininho
Também toca rabecão
*
O rei manou me chama

rPra casar com sua filha
Só de dote ele me dava
Europa, França e Bahia
Me lembrei do meu ranchinho
Da roça, do meu feijão
O rei mandou me chamar
Ó seu rei, não quero, não
*

Trava-Língua

Trava-Língua é um pequeno texto, rimado ou não, de pronunciação difícil.

A ama ama o amo, mas o amo não ama a ama.
Se a liga me ligasse, eu também ligava a liga. Como a liga não me liga, eu também não ligo a liga

O Papa papa o papo do pato

A batina do padre Pedro é preta

É preto o prato do pato preto

O Pedro pregou um prego na pedra

Pedro pregou um prego na porta preta

O padre pouca capa tem, pouca capa compra

No morro chato, tem uma moça chata, com um tacho chato, no chato da cabeça. Moça chata, esse tacho chato é seu?

A vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente, sem suceder o sucesso.

Trazei três pratos de trigo para três tigres tristes comerem.

A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.

Em rápido rapto, um rápido rato raptou três ratos sem deixar rastros.

Pedro Pereira Pedrosa pediu passagem para Pirapora. Pode passar, porteiro, para pegar peixe piau.

O princípio principal do príncipe principiava principalmente no princípio principesco da princesa.

Há quatro quadros três e três quadros quatro. Sendo que quatro destes quadros são quadrados, um dos quadros quatro e três dos quadros três. Os três quadros que não são quadrados, são dois dos quadros quatro e um dos quadros três.

Teto sujo, chão sujo.

Trezentos e trinta e três trilhões trezentos e trinta e três milhões trezentos e trinta etrês mil e trezentos e trinta e três

Três pratos de trigo para três pobres tristes tigres

Larga a tia, largatixa! Lagartixa, larga a tia! Só no dia em que sua tia chamar largatixa de lagartixa!

Um prego de prata sobre um prato de prata pra pobres primordiais professores.

Casa suja Chão sujo


Só a língua portuguesa permite escrever isso!
Texto onde todas as palavras iniciam com a letra P.

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor paulista, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora, pernoitando por perto. Prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulino pediu para pintar panelas. Posteriormente, pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir. Pediu permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso. Percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações. Pelos passos, percorriam permanentemente, possantes potrancas.

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo, Pedro Paulo, precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente!

“Preciso partir para Portugal porque pretendem, pela primavera, pintar principais portos, painéis, personalidades, prestigiando patrícios”, pensava Pedro Paulo.

- Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
- Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Passando pelo porto, penetrou pela pequena propriedade patriarcal pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:

- Pediste permissão para praticar pintura, porém, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Por que pintas porcarias?

- Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, prefiro poder procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar. Pegando pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte, precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos. Passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Posteriormente, partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.

Primeiramente, Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente, Pedro Paulo preferia pintar paredes, pisos, portas, portões, painéis. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando...

'Permita-me poder parar. Pretendo pensar. Peço perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei'.

E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer: 'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma'?

Adivinhações

Não vale correr para as respostas, pense e responda!
Vamos brincar de adivinha?
O que é o que é?

1) Estão em cima de um fio, pérolas sem furo, Deus é quem arruma e a pessoa desmancha?


2) É branco quando sobe e amarelo e branco quando desce?

3) O que o leopardo disse quando começou a chover?

4) O que ainda fica sujo quando um sujeito sujo acaba de tomar banho?

5) O que faz mais barulho do que um porco apanhado em um chiqueiro?

6) De que cor as meninas gostam mais?

7) O que o bêbado não se esquece de fazer?

8) De que funcionário do circo o Imposto de Renda quis cobrar o dobro do recolhimento na fonte?

9) São três moças dentro de casa: uma vai, outra quer ir e a que fica morre. Quem são?

10) Qual a semelhança entre os políticos e as ações?

11) Por que as mulheres adoram colocar chifres nos homens?

12) Em que lugar o sono é mais profundo?

13) O que é pelado por fora e peludo por dentro?

14) O que o cavalo e o navio têm em comum

15) O que o filhote de porco-espinho disse para o cacto?

16) O que é que quanto mais se puxa, mais encolhe?

17) Um homem nasceu na Itália, cresceu no Brasil, ficou adulto no Japão e morreuna França.
O que ele é?

18) Qual a semelhança entre a sogra e a onça pintada?

19) O que é que se encontra debaixo de um tapete de um manicômio?

20) O que o mosquito disse para a namorada?

21) O que só tem cabeça à noite?

22) Qual o animal mais honesto do mundo?

23) Qual a frase preferida das pessoas magrinhas?

24) Qual o problema do decorador quando ele procurou um médico?

25) O que o cavalo foi fazer no orelhão?

26) Por que a plantinha não fala?

27) Qual a semelhança entre Minas Gerais e Copacabana?

28) Por que a água foi presa?

29) O que está parado no meio do gol?

30) O que é que cai em pé e corre deitado?

Respostas


1)Cacho de uva

2) Um ovo atirado para cima

3) Isso vai estragar minhas lindas manchas

4) A banheira

5) Dois porcos apanhados em um chiqueiro

6) Da amarelinha

7) De beber

8) Da mulher serrada pelo mágico, por serem duas pessoas físicas

9) Fumaça, labareda e brasa

10) A maioria é ordinária

11) Porque sem chifres eles seriam animais indefesos

12) No cemitério

13) O nariz

14) O casco

15) "Não é a mamãe!"

16) Cigarro

17) Um defunto

18) Todos defendem, mas ninguém leva para casa

19) Um louco varrido

20) Deixe de dengue

21) Travesseiro

22) A cobra, porque não passa o pé em ninguém

23) Gente fina é outra coisa

24) De coração

25) Passar um trote

26) Porque ainda é mudinha

27) Ambos têm um belo horizonte

28) Porque matou a sede

29) A letra O

30) A chuva

E então acertaram quantas heim??
Aguardo novas charadinhas!

Cantigas de Roda

Cantigas de roda, Cirandas ou Brincadeiras de roda são brincadeiras infantis, onde as crianças formam uma roda de mãos dadas e cantam melodias folclóricas, podendo executar ou não coreografias acerca da letra da música.

É uma grande expressão folclórica e, acredita-se que pode ter origem em músicas modificadas de um autor popular ou nascido anonimamente na população. São melodias simples, tonais, com âmbito geralmente de uma oitava e sem modulações.

O compasso geralmente utilizado é o binário, outras vezes o quartenário. Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão Roda pião, Escravos de Jó, Rosa juvenil, Sapo Jururu, O cravo e a rosa e Atirei o pau no gato.
As letras das canções podem sofrer variações regionais, comuns em manifestações populares.

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A Barca Nova
Minha mana Mariquinhas,
Vamos à praia passear,
Vamos ver a barca nova
Que do Céu caiu ao mar.
Nosso Senhor no altar,
São José a contramestre,
Nossa Senhora na frente,
Os anjinhos a remar.
Remem, remem, meus anjinhos
Que essas águas são de flores...
Quinta feira é de endoenças
Sexta feita é da paixão,
Domingo é de procissão.

A Praia (outra versão de A Barca Nova)
Ora vamos, maninha, vamos
À praia passear,
Vamos ver a barca nova
Que do céu caiu ao mar.
Nossa Senhora vai dentro,
Os anjinhos a remar,
Remem, remem, remadores,
Que essas águas são de flores.
Estribilho geral:
Os quindins, olé...
Os quindins, olá
Toca a viola
Toca a dançar.

O piru
a mão direita tem uma roseira,
que dá flor na primavera.
Entrai na roda oh linda roseira,
e abraçai a mais faceira.
a mais faceira eu não a quero
quero a boa companheira.

Atirei o pau no gato
Atirei o pau no gato, tô, tô
mas o gato, tô, tô
não morreu, reu, reu
dona Chica, cá
admirou-se, se
do berrô, do berrô
que o gato deu, miau!

Não atire o pau no gato (Versão ecológica)
Não atire o pau no gato, tô
porque isso,sô, sô
não se faz
O gatinho, nhô
É nosso amigo, gô
Não devemos,não devemos
maltratar os animais, miau!

A brincadeira
Forma-se uma roda, onde as crianças vão andando de mãos dadas e cantando. Quando forem fazer miau, as crianças abaixam-se rapidamente e pulam, gritando bem alto o "MIAAAAAU!"

Capelinha de melão
Capelinha de melão
É de São João
É de cravo,
é de rosa,
É de manjericão
São João está dormindo
Não acorda, não
Acordai,
acordai,
Acordai, João!

Caranguejo
Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo não é peixe
Na vazante da maré.
Palma, palma, palma,
Pé, pé, pé
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré.

Caranguejo - Outra Versão
Fui à Espanha
Buscar meu chapéu
Azul e branco
Da cor daquele céu
Olha palma, palma, palma
Olha pé, pé, pé
Olha roda,roda,roda
Caranguejo peixe é
Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo só é peixe
Na enchente da maré
Samba crioula
Que vem da Bahia
Pega essa menina
E joga na bacia
A bacia é de ouro
Areada com sabão
E depois de areada
Enxugada com o roupão
O roupão é de seda
Camiseta de filó
Cada um pega o seu par
Para dar bênção a vovó
A benção vovó, a benção vovó.

Brincadeira
As crianças se dão as mãos e giram formando uma roda, cantando e fazendo gestos referentes à letra da música. Por exemplo, apontam para o céu na primeira estrofe; batem palmas e pés, na segunda; Colocam as mãos na cintura, rebolam e, em seguida, fazem o gesto de jogar algo no centro com as duas mãos, na terceira estrofe; depois,refazem a roda e seguem girando até o fim da música, quando todos correm para abraçar a criança mais velha do grupo e pedir sua benção.

Carneirinho, carneirão
Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos sentarmos.
As crianças se sentam e sentados cantam:
Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos levantarmos.
As crianças se levantam e cantam:
Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos ajoelharmos.
As crianças se ajoelham e cantam:
Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, p´ro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos levantarmos.

Chapéu de três pontas
O meu chapéu tem três pontas,
tem três pontas o meu chapéu.
Se não tivesse três pontas,
não seria o meu chapéu.

A brincadeira
Ao final do primeiro canto, escolhe-se uma palavra que se cantará de forma "muda" usando-se gestos no lugar. A cantiga continua e a cada rodada continua-se tirando uma palavra.

Ciranda cirandinha
Ciranda, cirandinha
vamos todos cirandar
vamos dar a meia-volta
volta e meia vamos dar
O anel que tu me deste
era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou
Por isso, D. Fulano
entre dentro dessa roda
diga um verso bem bonito
diga adeus e vá-se embora
A ciranda tem três filhas
Todas três por batizar
A mais velha delas todas
Ciranda se vai chamar

Escravos de Jó
Escravos de Jó, jogavam caxangá
Tira, põe, deixa ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá.

Escravos de Jó (versão Cão Guerreiro)
Nota: comum no Pará.
Escravos de Jó, jogavam gaxangá
Tira, bota, deixa o cão guerreiro entrar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá

Escravos de Jó (versão "tira-põe")
Nota: comum em São Paulo.
Escravos de Jó jogavam caxangá
Tira, põe, não deixa ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-ziguezague;
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-ziguezague.

A brincadeira
1. Sentadas em roda, cada criança deve ter um objeto à mão (caixa de fósforo, copo, pedra etc.).

2. Enquanto canta, cada criança passa o objeto para o colega ao lado, fazendo movimentos conforme a letra:Os escravos de Jó jogavam caxangá (vai passando para o colega ao lado o objeto que foi posto à sua frente );Tira (levanta o objeto), põe (põe na sua frente na mesa), deixa ficar (aponta para o objeto na frente e balança o dedo);Guerreiros com guerreiros fazem zigue (passa seu objeto para o colega ao lado), zigue (volta o objeto para sua frente), zá (passa seu objeto para o colega).
5. Na primeira vez, a letra é cantada normalmente. Na segunda vez, a letra é substituída por lálá lálálá... e, por último, as crianças fazem todos os movimentos da brincadeira, porém sem cantar a música.6. Sai da brincadeira aquele que errar um movimento.

Ficarás sozinha
Ó Fulanazinha,
Ó Fulanazinha,
Entrarás na roda,
Ficarás sozinha.
A menina cujo nome é citado entra para o meio da roda e canta:
Sozinha eu não fico,
Nem hei de ficar
Uma de vocês (em outra versão: Porque Fulaninha)
Há de ser meu par.
Tira pela mão a escolhida, que atende ao convite e dançando com ela, canta:
Tira, tira seu pezinho,
Põe (Bota) aqui ao pé do meu,
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu.

Fonte do Itororó
Fui no Itororó
beber água não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei
Aproveite, minha gente,
que uma noite não é nada
Se não dormir agora,
dormirá de madrugada
Ó dona Maria,
Ó Mariazinha,
entrarás na roda
e dançarás sozinha
Sozinha eu não danço
nem hei de dançar
porque eu tenho o fulano
para ser meu par

A brincadeira
Forma-se uma roda em torno de uma pessoa, e fica-se andando e cantando. quando chegar à última estrofe, a roda para e a pessoa do centro canta sozinha, escolhendo o próximo a ficar no centro. Essa brincadeira surgiu na cidade de santos pela fonte do Itororó.

O cravo e a rosa
O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada.
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente.
A rosa foi visitar.
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pôs-se a chorar.

Pai Francisco
Pai Francisco entrai na roda,
Tocando seu violão.
O menino que faz de Pai Francisco entra na roda que continua a cantar de mãos dadas:
Quem dirá, meu bem, quem dirá?
Pai Francisco está na prisão.
Pai Francisco, fingindo tocar violão, dança e requebra:
Como ele aí vem,
Todo requebrado,
Ganhando dinheiro
Com o seu melado (em outra versão: Pedindo vinténs)
(em outra versão:
Ai como ele vem,
todo requebrado,
parece um boneco
desengonçado

O Pobre e o Rico
As crianças se dispõem em fileira e, distante uns dez passos, fica a que vai ser a "pobre". A fileira "rica" avança e canta:
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, marré, marré (outra versão:de mar é, mar é, mar é)(ou ainda: De mavé, mavé, mavé)
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, de si. ( de mavé, descer)
A "pobre" canta:
Eu sou pobre, pobre, pobre,
Vou-me embora, vou-me embora
Eu sou pobre, pobre, pobre,
Vou-me embora, vou-me embora.
A fileira "rica" canta:
Eu sou rico, rico, rico,
Vou-me embora, vou-me embora
Eu sou rico, rico, rico,
Vou-me embora daqui.
A fileira "pobre" avança e diz:
Dai-me um destes meninos, (em outra versão: Dai-me uma de vossas filhas)
Vou-me embora, vou-me embora.
Dai-me um destes meninos,
Vou-me embora, vou-me embora.
E a fileira "rica":
Escolhei a que quiserdes
Vou-me embora, vou-me embora,
Escolhei a que quiserdes
Vou-me embora daqui.

A brincadeira
A pobre vai sucessivamente engrossando suas fileiras até que a rica vira pobre. Invertidos os papéis, o brinquedo recomeça.

O Pobre e o Rico,Outra Versão:
As crianças se dispõem em fileira e, distante uns dez passos, fica a que vai ser a "rica". A fileira "pobre" avança e canta:
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré(outra versão: de mar é, mar é, mar é)(ou ainda: De mavé, mavé, mavé)
Eu sou pobre,pobre,pobre
De marré, de si.(de mavé, descer)
A fileira "rica" avança e canta:
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, marré, marré
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, de si.
A "rica" canta:
Quero uma de suas filhas
De marré, marré, marré
Quero uma de suas filhas
De marré, de si.
A "pobre" responde:
Escolhei a que quiser
De marré, marré, marré
Escolhei a que quiser
De marré, de si
A "rica" canta:
Eu quero a Fulanazinha
De marré, marré, marré
Eu quero a Fulanazinha
De marré, de si
Indaga a "pobre":
Que ofício (vai dar)dará a ela?
De marré, marré, marré
Que ofício dará a ela?
De marré de si.
Responde a "rica":
Dou ofício de ...( sugere-se uma profissão como, por exemplo, costureira)
De marré, marré, marré
Dou ofício de ...
De marré,de si.
Retrucam as "pobres", aceitando ou renegando o ofício proposto:
Esse ofício não me agrada( ou esse ofício me agrada)
De marré, marré, marré
Esse ofício não me agrada( ou esse ofício me agrada)
De marré de si.
Toda vez que um ofício é aceito, uma das filhas pobres passa para o lado da rica e a brincadeira segue, até que todas passem para o lado rico, quando então se encerra a brincadeira cantando:
Eu, de pobre fiquei rica
De marré, marré, marré
Eu, de pobre fiquei rica
De marré, de si

Roda Pião
O pião entrou na roda, ó pião
O pião entrou na roda, ó pião
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião
Sapateia no terreiro, ó pião!
Sapateia no terreiro, ó pião!
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião
Mostra tua figura, ó pião
Mostra tua figura, ó pião
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião
Faça uma cortesia, ó pião
Faça uma cortesia, ó pião.

Versão mais antiga
Sapateia no tesouro, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Agora entrae na roda, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Mostra a sua figura, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Entregae o chapéo a outra, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)

Sapo Cururu (ou Sapo Jururu)
Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo pula,
Ó maninha,
É que esta com frio
A mulher do sapo
deve estár lá dentro
Fazendo rendinha,
Ó maninha,
Pro seu casamento

A brincadeira
Forma-se uma roda, onde as crianças vão andando de mãos dadas e cantando.

Se esta rua fosse minha
Se esta rua, se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
só pro o meu, só pro o meu amor passar
Nesta rua, nesta rua tem um bosque
que se chama, que se chama solidão
dentro dele, dentro dele mora um anjo
que roubou, que roubou meu coração
Se roubei, se roubei teu coração
tu roubaste, tu roubaste o meu também
se roubei, se roubei teu coração
é porque, é porque te quero bem

A brincadeira
Forma-se a roda com uma criança no centro. Canta-se, girando, até a segunda estrofe, onde a criança do centro canta-a sozinha e escolhe outra pessoa para ficar no centro da roda.

Senhora dona Sancha
Senhora Sancha,
Coberta de ouro e prata,
Descubra o seu rosto,
Que eu quero ver a lata.
Que anjos são esses,
Que andam por aqui,
De dia e de noite,
À roda de mim?
São filhos de reis,
E netos de conde,
Que mandam que se esconda,
Debaixo duma pedra.

A brincadeira
Quem quiser servir de Sancha senta-se no centro e cobre o rosto com as mãos. Ao terminar a terceira quadra enrola-se um pano na cabeça de Sancha, e aproximando-se dela dizem todos Uh! Uh! Uh! E, correndo, vão-se esconder e quando todos estiverem escondidos, o fiscal do brinquedo diz; Pode. Sancha retira o pano e vai à procura. Escapam os que chegam ao ´pique´ combinado; quem é agarrado irá ser a próxima D. Sancha.

Senhora dona Sancha - Outra versão
Senhora dona Sancha
Coberta de ouro e prata
Descobri o vosso rosto
Quero ver a vossa face.
Que anjos são estes
Que andam me arrodeando
De noite e de dia
Rezando Ave-Maria
Somo filhas do conde
do conde visconde
O seu rei mandou dizer
Para todas se esconder.

Brincadeira
As crianças que fazem a roda se agacham e aquela que faz a vez de d.Sancha vai pondo a mão na cabeça de criança que esta agachada perguntando:
-Minha gatinha?
-Miau!!!
Aí fala o nome de quem respondeu. Se acertou (não me lembro "se errou") passa à frente fazendo a mesma pergunta à outra criança; Aquela que adivinhar o nome irá ocupar o lugar de dona Sancha.
(Fonte: memória. Bricandeira feita por volta de 1940/1942 em Santo Inácio-PR. no tempo da primeira professora Mota de Souza)

Teresinha de Jesus
Teresinha de Jesus
numa queda foi ao chão
acudiram três cavalheiros
todos três chapéu na mão
O primeiro foi o pai
o segundo, seu irmão
o terceiro foi aquele
que à Teresa deu a mão
Da laranja quero um gomo
do limão quero um pedaço
da menina mais bonita
quero um beijo e um abraço
Tanta laranja madura
tanto limão pelo chão
tanto sangue derramado
dentro de um só coração

A brincadeira
Forma-se uma roda em torno de quatro participantes (os personagens, um ajoelhado e os outros três em pé), que vão interpretando a história. Na última estrofe, cantada pela Teresinha já de pé, ela escolhe outra pessoa para ser a Teresinha.

Pesquisa feita no sítio:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantiga_de_roda

Cantigas de Ninar

Cantigas de ninar, canções de ninar, acalantos ou cantigas de embalar são canções que as pessoas entoam para fazer os bebês dormirem suavemente.

Chamadas:
* lula, na Suécia;
* berceuse, na França;
* ninnananna ou cantilena, na Itália;
* kalebka, na Polônia;
* lulle, na Dinamarca;
* rurrupatas, no Chile;
* canción de cuna, na Espanha;
* lullaby na Inglaterra e Estados Unidos;
* lullen, na Holanda,
* canções de embalar, em Portugal;
* komoruita, no Japão;
* cantec de legan, na Romênia,
* cantigas de mucuru, entre os indígenas brasileiros.

Nina-nana é o tom ritmado da voz de quem embala a criança, e é também o nome que se dá à "cantiga de acalentar".

Os temas das cantigas são os temas religiosos como os anjos, os pais ausentes, e as entidades míticas do sono como o João Pestana além das entidades assustadoras de crianças como o papão e a coca (cuca).

Acalantos são cantados à noite pelas mães para embalarem seus filhos e são geralmente muito suaves.

"Boi, boi, boi,
Boi da cara preta.
Pega este menino
Que tem medo de careta."

Outra:
"Bicho tutu
Sai de cima do telhado.
Deixa o meu nenê
Dormir sossegado."

Acalanto:
“Canção para adormecer crianças.
É palavra erudita, designando o ato de acalentar, de embalar. No seu sentido musical, equivalente, por exemplo, ao da palavra francesa berceuse e da inglesa lullaby, foi utilizada por extensão e pela primeira vez pelo compositor brasileiro Luciano Gallet. Popularmente, nossos acalantos são chamados cantigas de ninar”. (Oneyda Alvarenga, “Comentários a Alguns Cantos e Danças do Brasil”, Revista do Arquivo Municipal, LXXX, 209, S. Paulo).

Cantiga de ninar: “O acalanto, canção ingênua, sobre uma melodia muito simples, com que as mães ninam seus filhos, é uma das formas mais rudimentares do canto, não raro com uma letra onomatopaica, de forma a favorecer a necessária monotonia, que leva a criança a adormecer. Forma muito primitiva, existe em toda parte e existiu em todos os tempos, sempre cheia de ternura, povoada às vezes de espectros de terror, que os nossos meninos devem afugentar dormindo. Vieram as nossas de Portugal, na sua maior parte, e vão passando por todos os berços do Brasil e vivem em perpétua tradição, de boca em boca, longe das influências que alteram os demais cantos”. (Renato Almeida, História da Música Brasileira, 106).

Os nossos indígenas tinham acalantos de extrema doçura, como um, de origem tupi, onde se pede emprestado ao Acutipuru o sono ausente ao curumi. No idioma nheengatu o acalanto se diz cantiga do macuru. Macuru é o berço do indígena. (Barbosa Rodrigues, Poranduba Amazonense, 287).

Em quase todos os acalantos, o final adormecedor é uma sílaba que se canta com várias notas, á-á-á-á, ú-ú-ú-ú, o ru galaico, ainda popular nas cantigas de berço portugueses.

Nanar / Ninar
Termo de criança. Dormir. Mamã, quero nanar. O mesmo que nana (sem acento). Termo de que as crianças se servem para designar o ato de dormir.
Fazer nana; locução de que se servem as amas, quando falam às crianças para as sossegar, significando dormir. (D. Fr. Domingos Vieira, DIC., Porto, 1873).

Fazer adormecer uma criança no colo ou nos braços, ou embalando-a no seu berço, ou na rede, cantando, em geral, as cantigas de berço, do nosso folclore:

“Nanai, meu menino,
Nanai, meu amor;
Que a faca que corta
Dá talho sem dor”.

“Boizinho, boizinho,
Que está no curral;
Vem ver o menino
Que não quer nanar”.

(De uma cantilena maranhense. Pereira da Costa, Vocabulário Pernambucano, 516).

Sapo-Cururu ou sapo-jururu, cantiga de ninar, acalanto divulgadíssimo no Brasil:

“Sapo-cururu
Da beira do rio,
Quando o sapo canta, ó maninha,
Dia qu’está com frio...”

Figura em quase todas as coleções de verso infantis.

O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira não registra o vocábulo coca (côca), e sim cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo.

A coca (côca) ou cuca é um bicho imaginário criado e usado para fazer medo às crianças choronas que não querem dormir.

No sul do Brasil mantém-se a figura da cuca, mencionada na obra de Monteiro Lobato. No nordeste, a referência foi perdida, como mostra a substituição na canção de ninar:

"Chô, Chô gatinho
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu sono sossegado."

No Brasil,dentre as mais conhecidas estão o Dorme nenem (folclore do Nordeste do Brasil, recolhido por Luís da Câmara Cascudo) e o Boi da cara preta (de Dorival Caymmi).

"Dorme nenem,
que eu tenho o que fazer,
vou lavar vou engomar,
camisinha para você."

"Boi boi boi,
boi da cara preta
pega esse menino
que tem medo de careta."

Referências
· Aurélio Buarque de Holanda: Novo Dicionário da Língua Portuguesa
· Candido Figueiredo: Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. Livraria Bertrand. Lisboa 1940
· J. Leite Vasconcelos : Canções do Berço
· Mario Souto Maior : Cantigas de Ninar: Origens remotas. Boletim da Comissão Catarinense de Folclore, Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina. 1993-1994.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Cantiga_de_ninar"